Os benefícios da ventosaterapia são procurados principalmente por pessoas que desejam aliviar dores musculares e relaxar. Entenda como a técnica funciona, o que a ciência já sabe e quando é preciso ter cuidado.
O que é ventosaterapia?
A ventosaterapia é uma prática antiga que utiliza copos próprios para criar sucção sobre a pele. As ventosas podem ser feitas de vidro, plástico, silicone ou outros materiais adequados.
Na técnica seca, a pele permanece íntegra. O profissional posiciona as ventosas por alguns minutos ou as movimenta suavemente com um produto que facilite o deslizamento. Existe também a técnica úmida, que envolve pequenas perfurações e retirada de sangue. Por ser invasiva, ela exige cuidados ainda mais rigorosos e não deve ser feita em casa.
A ventosaterapia pode fazer parte de uma abordagem integrativa, mas não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento indicado por médico, fisioterapeuta ou outro profissional de saúde habilitado.
Quais são os possíveis benefícios da ventosaterapia?
O benefício mais estudado é o possível alívio de algumas dores. Revisões de estudos encontraram resultados favoráveis em certos quadros, especialmente dores musculoesqueléticas. Porém, muitos trabalhos têm limitações e apresentam resultados diferentes entre si.
Na prática, algumas pessoas relatam:
- sensação de relaxamento muscular;
- alívio temporário de tensão nas costas, nos ombros e no pescoço;
- redução de algumas dores musculares;
- sensação de bem-estar após a sessão;
- mais conforto para realizar movimentos, dependendo da causa da dor.
É importante usar expressões como “pode ajudar” e “possível alívio”. Segundo o Centro Nacional de Saúde Complementar e Integrativa dos Estados Unidos, a ventosaterapia pode ajudar a reduzir a dor, mas as evidências ainda não são fortes. Para outras condições, faltam pesquisas de boa qualidade que permitam conclusões seguras.
A ventosaterapia melhora a circulação?
A sucção provoca uma reação local na pele e nos tecidos logo abaixo dela. A região pode ficar quente e avermelhada por algum tempo. Essa resposta é frequentemente descrita como aumento temporário do fluxo sanguíneo local.
Isso não significa que a técnica “limpa o sangue”, elimina toxinas ou cura doenças. Essas promessas não são sustentadas por evidências científicas sólidas. O fígado, os rins, os pulmões e outros órgãos já participam dos processos naturais de eliminação de substâncias do organismo.
Por que a ventosa deixa marcas?
A pressão negativa puxa a pele para dentro do copo. Por isso, podem aparecer círculos vermelhos ou arroxeados. A intensidade varia conforme a pressão aplicada, o tempo da sessão e a sensibilidade da pessoa.
As marcas costumam diminuir gradualmente, mas podem durar vários dias. Elas não comprovam a presença de “toxinas” e uma marca mais escura não significa, por si só, que o tratamento funcionou melhor.
Dor forte, bolhas, queimadura, secreção, febre ou uma marca que não melhora precisam de avaliação profissional.
A ventosaterapia dói?
A pessoa pode sentir pressão, repuxamento ou calor leve. A aplicação não deveria causar dor intensa. Se houver desconforto forte, ardência ou sensação de queimadura, avise imediatamente ao profissional.
A força da sucção e o tempo de permanência devem ser ajustados para cada pessoa. Mais pressão não significa mais benefício.
Quem deve evitar ou conversar com um profissional antes?
A avaliação individual é indispensável. A técnica pode não ser adequada em algumas situações, como:
- feridas, queimaduras, infecções ou inflamações na pele;
- eczema ou psoríase ativos na região;
- problemas de coagulação ou uso de medicamentos anticoagulantes;
- anemia ou histórico de sangramentos, especialmente na técnica úmida;
- cirurgia ou lesão recente no local;
- doenças vasculares ou sensibilidade reduzida na pele;
- gravidez, principalmente em certas regiões do corpo;
- febre, infecção ou mal-estar sem causa esclarecida.
Crianças, pessoas idosas e pessoas com doenças crônicas também precisam de uma avaliação cuidadosa. Nunca interrompa medicamentos ou tratamentos para fazer ventosaterapia.
Quais são os riscos?
Além das marcas temporárias, podem ocorrer dor, irritação, bolhas, queimaduras, alteração persistente da cor da pele, cicatrizes e infecções. A ventosaterapia pode piorar algumas doenças de pele.
Materiais reutilizáveis precisam passar por limpeza e esterilização adequadas. Equipamentos contaminados podem transmitir infecções. Na técnica com fogo há risco de queimadura; na técnica úmida há risco adicional de sangramento e contaminação.
Como escolher um atendimento seguro?
Procure um profissional habilitado, com formação adequada e que trabalhe em ambiente limpo. Antes da sessão, informe seus diagnósticos, alergias, medicamentos e tratamentos em andamento.
Um atendimento responsável deve explicar qual técnica será usada, os benefícios esperados, os riscos, os cuidados posteriores e as alternativas disponíveis. Desconfie de promessas de cura rápida ou de tratamento para muitas doenças ao mesmo tempo.
O Ministério da Saúde explica que as Práticas Integrativas e Complementares devem atuar junto ao cuidado convencional. A oferta de serviços varia entre os municípios e pode ser consultada na Unidade Básica de Saúde.
Vale a pena fazer ventosaterapia?
A ventosaterapia pode ser uma opção complementar para algumas pessoas, principalmente quando o objetivo é buscar alívio temporário de tensão ou dor. A decisão deve considerar a causa do sintoma, as condições de saúde, as evidências disponíveis e a orientação de um profissional.
Se a dor for intensa, surgir de repente, vier acompanhada de fraqueza, falta de ar, febre, perda de sensibilidade ou persistir por vários dias, procure atendimento de saúde. Não use a ventosaterapia para adiar uma avaliação necessária.
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Fontes: NCCIH — Cupping; mapa de evidências sobre ventosaterapia e dor; Ministério da Saúde — PICS.
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