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A inflação voltou a aparecer onde a família sente primeiro: na conta de luz e na feira. O IPCA subiu 0,82% em setembro, depois de cair 0,32% em agosto. O dado divulgado pelo IBGE nesta sexta-feira, 9 de outubro, não significa que todos os preços avançaram na mesma proporção. Mas mostra que o alívio do mês anterior foi curto.

A conta de luz virou o centro da inflação

A energia elétrica residencial subiu 7,98% em setembro e, sozinha, respondeu por 0,32 ponto percentual do IPCA. Foi o maior impacto individual no índice. O grupo Habitação avançou 2,31% e contribuiu com 0,35 ponto percentual para o resultado geral, segundo os dados do IBGE repercutidos pela Agência Brasil.

Há uma explicação importante por trás do salto. Em agosto, consumidores receberam na fatura um crédito do Bônus de Itaipu, e a energia havia recuado 7,63% no índice. Sem o mesmo desconto em setembro, a comparação foi feita com uma base temporariamente mais baixa. Também houve reajustes de tarifas em algumas cidades. Portanto, a alta de 7,98% não deve ser lida como se fosse uma nova tarifa nacional idêntica para todos os lares.

Esse detalhe evita duas leituras erradas: a de que a inflação de setembro foi apenas uma ilusão estatística e a de que a conta de cada brasileiro subiu exatamente 7,98%. O fim do bônus explica boa parte da virada, mas o valor pago depende da distribuidora, do consumo, dos tributos e de outros componentes da fatura.

O mercado também pesou

Depois de três meses de queda, Alimentação e bebidas voltou a subir, com alta de 0,83%. Dentro de casa, os alimentos ficaram 0,96% mais caros em média. Tomate avançou 37,76%, batata-inglesa 24,07% e cebola 10,14%, de acordo com o levantamento. Por outro lado, frango e frutas recuaram. A fotografia do mês é desigual, como a experiência de quem troca produtos na feira para caber no orçamento.

Transportes subiu 0,89%. As passagens aéreas tiveram alta de 9,66%, enquanto os combustíveis avançaram 1,41% no conjunto. Gasolina subiu 1,21% e etanol, 3,16%. Não são aumentos que atingem todas as famílias da mesma maneira, mas reforçam a pressão sobre despesas essenciais e deslocamentos.

O que o número diz sobre o bolso agora

Em 12 meses, o IPCA acumula 4,58%. É acima do limite superior de 4,5% da faixa de tolerância da meta de inflação, embora um único mês acima desse limite não configure, por si só, descumprimento formal da meta. A inflação acumulada tinha sido de 4,22% até agosto.

O IPCA é uma média calculada para famílias com rendimentos de um a 40 salários mínimos nas áreas pesquisadas pelo IBGE. Seu orçamento pode sentir uma variação maior ou menor. Quem gasta mais com alimentos e energia percebe uma pressão diferente de quem concentra despesas em outros serviços.

Também não é possível afirmar hoje que outubro repetirá setembro. A bandeira tarifária verde reduz um componente adicional da conta de luz neste mês, mas preços dependem de vários fatores. O dado mais honesto é este: o desconto de agosto terminou, e alimentos e combustíveis voltaram a subir. Para quem fecha as contas em casa, a inflação deixou de ser apenas porcentagem e voltou a exigir escolhas concretas.

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